
Comprar um jogo digital significa realmente ter aquele jogo? Para a Sony, a resposta não é tão simples.
Em uma petição apresentada em um processo judicial nos Estados Unidos, a empresa argumentou que seria “implausível” acreditar que consumidores considerem os jogos digitais adquiridos na PlayStation Store como propriedade.
Segundo a defesa, o consumidor não compra o software propriamente dito, mas recebe uma licença de uso. A Sony utiliza seus próprios termos de serviço para reforçar o argumento, destacando que “o software é licenciado a você, não vendido”.
Para sustentar sua posição, a empresa utilizou uma situação envolvendo Resident Evil Requiem.
Um dos autores do processo teria comprado o jogo em fevereiro, enquanto outro conseguiu adquirir o mesmo título dias depois. Para a Sony, isso demonstra que não faria sentido considerar o primeiro consumidor como proprietário do jogo, já que a empresa continuou podendo conceder uma licença de acesso ao mesmo título para outras pessoas.
A declaração faz parte da defesa da companhia em uma ação coletiva relacionada à legislação da Califórnia sobre bens digitais.
O caso coloca novamente em discussão uma questão que preocupa cada vez mais a comunidade: o que acontece com os jogos que compramos quando uma plataforma deixa de oferecer determinado título ou encerra uma loja digital?
Diferentemente de uma mídia física, que pode ser guardada e utilizada independentemente da existência de uma loja online, uma compra digital está vinculada às regras e à infraestrutura da plataforma.
A discussão ganha ainda mais força diante da transição da indústria para o mercado digital e das recentes decisões da própria Sony envolvendo o futuro das mídias físicas do PlayStation.
No fim das contas, a pergunta que fica é simples: quando você compra um jogo digital, ele é realmente seu?
E você, como enxerga essa questão? Compra digital deveria significar propriedade do jogo? Comenta aí!