Streamer Goiano passa de 192 horas ao vivo e arrecada mais de R$ 10 mil para comprar brinquedos para crianças

Conhecido como “Pracinha gamer”, bombeiro militar de Goiás iniciou um Subathon Solidário que deveria durar três dias, mas já chegou ao oitavo dia graças às contribuições da comunidade.

Por: Anderson Schulz
20/08/2026 às 16h28 Atualizada em 20/08/2026 às 17h01
Streamer Goiano passa de 192 horas ao vivo e arrecada mais de R$ 10 mil para comprar brinquedos para crianças

O que começou como uma live planejada para durar apenas três dias se transformou em uma verdadeira maratona solidária. O streamer goiano Kelven Roberto Martins, conhecido na internet como Pracinha Gamer, de 30 anos, bombeiro militar do Estado de Goiás e criador de conteúdo há oito meses, já ultrapassou 192 horas ao vivo em um Subathon Solidário que arrecadou mais de R$ 10 mil para a compra de brinquedos destinados a crianças em situação de vulnerabilidade na região metropolitana de Goiânia, principalmente Aparecida de Goiânia.

A transmissão continua acontecendo e só será encerrada quando o cronômetro chegar ao fim. O detalhe é que o próprio público tem o poder de manter Pracinha Gamer ao vivo: a cada contribuição realizada durante a transmissão, mais tempo é acrescentado ao relógio.

A ideia inicial era aproveitar três dias de folga do trabalho para realizar uma ação especial antes do Dia das Crianças. Mas a comunidade abraçou a causa de uma forma que o próprio streamer não imaginava.

“Eu pensei que seriam três dias. Depois virou quatro, cinco, seis, sete e agora já estamos no oitavo dia. Eu jamais imaginei que chegaríamos a uma arrecadação de mais de R$ 10 mil.”

De três dias para uma maratona de 192 horas

O formato escolhido foi o Subathon, uma modalidade de transmissão ao vivo em que as contribuições do público podem acrescentar tempo ao cronômetro. No caso da campanha de Pracinha Gamer, a dinâmica foi adaptada por meio do LivePix.

A cada R$ 1 enviado, são acrescentados 60 segundos de transmissão. Assim, uma contribuição de R$ 60 representa mais uma hora de live.

Foi dessa forma que uma transmissão inicialmente planejada para durar 72 horas ultrapassou os oito dias completos de duração. Ao todo, já são 192 horas praticamente ininterruptas diante do computador.

Além da arrecadação, o streamer criou metas e desafios para manter o público participando. Perucas, acessórios e outras brincadeiras passaram a fazer parte da transmissão sempre que determinadas metas eram alcançadas.

Mas por trás da diversão existe um objetivo maior.

A ideia de usar os games para fazer o bem

Pracinha Gamer começou a fazer lives há oito meses e, desde o início, pensava em transformar a comunidade que estava construindo em algo que fosse além dos jogos.

A inspiração para a campanha também tem relação direta com sua profissão. Como bombeiro militar, ele afirma conhecer de perto diferentes realidades de Goiânia e regiões onde muitas famílias enfrentam dificuldades financeiras.

“Às vezes, para nós, um carrinho ou um brinquedo simples pode parecer pouca coisa, mas para uma criança pode significar muito.”

Foi dessa percepção que nasceu a ideia de transformar um subathon em uma ação solidária. A proposta é utilizar a arrecadação para comprar brinquedos e realizar uma grande distribuição para crianças de regiões mais carentes da capital.

A quantidade de crianças beneficiadas ainda será definida. Como o subathon continua acontecendo e a arrecadação segue crescendo, Pracinha Gamer pretende aguardar o encerramento para calcular o valor final disponível e organizar a compra dos brinquedos e a logística da ação.

Segundo o streamer, haverá apenas o abatimento de custos necessários diretamente relacionados aos vários dias de transmissão, algo que vem sendo discutido com a própria comunidade durante as lives. O restante será destinado à realização da ação solidária.

A comunidade não deixou o relógio acabar

Entre os momentos mais marcantes da maratona está justamente uma situação que parecia indicar o fim da transmissão.

Quando o subathon completou sete dias, faltavam cerca de dois minutos para o cronômetro zerar. Pracinha Gamer já começava a se despedir do público, acreditando que a longa jornada finalmente chegaria ao fim.

Foi então que novas contribuições começaram a aparecer.

O relógio voltou a subir e a live continuou.

Para o streamer, aquele momento mostrou a dimensão que a ação havia alcançado. Entre as contribuições recebidas durante o subathon, uma delas chamou atenção pela história compartilhada pelo empresário Bruno Bigwig, que relatou ter vivido uma realidade difícil durante a infância e decidiu participar da campanha.

Apesar disso, Pracinha Gamer faz questão de destacar que não mede a importância das contribuições pelo valor.

“É R$ 1, R$ 10, R$ 20, R$ 100. Todo mundo trabalha para conquistar seu dinheiro e ninguém é obrigado a tirar algo do próprio bolso para participar. Quando alguém faz isso espontaneamente para ajudar outra pessoa, tem muito valor.”

“A comunidade começa a cuidar de você”

Depois de oito dias praticamente vivendo diante do computador, o cansaço já faz parte da rotina. Mesmo assim, Pracinha Gamer afirma que a conexão criada com o público é o que tem ajudado a manter a transmissão.

Segundo ele, os próprios espectadores passaram a acompanhar também sua rotina básica, lembrando o streamer de beber água, comer, tomar banho e descansar.

Alguns espectadores, inclusive, permanecem acompanhando a transmissão durante a madrugada, mesmo precisando trabalhar no dia seguinte.

“Chega um momento em que a própria comunidade começa a cuidar de você.”

Para Pracinha Gamer, essa relação também aumenta a responsabilidade de levar o projeto até o fim. Cada contribuição representa uma demonstração de confiança no propósito da campanha e no destino que será dado à arrecadação.

Muito além de uma live de games

A expectativa agora é transformar os mais de R$ 10 mil já arrecadados em brinquedos e proporcionar um Dia das Crianças diferente para famílias que não teriam condições de realizar esse tipo de compra.

A região que receberá a ação e a quantidade de crianças beneficiadas ainda serão definidas após o encerramento do subathon e a organização da arrecadação final.

Enquanto isso, o cronômetro continua funcionando e a comunidade segue decidindo quanto tempo Pracinha Gamer permanecerá ao vivo.

Para o streamer, o resultado da campanha já representa algo maior do que uma simples maratona de jogos.

“Era isso que eu queria desde quando comecei a fazer live: provar que o game pode ser muito mais do que simplesmente sentar na frente de um computador para jogar. Uma comunidade também pode se unir para fazer o bem.”

E, enquanto novas contribuições continuam chegando, uma live que deveria durar apenas três dias segue escrevendo uma história que já passou das 192 horas, ultrapassou os R$ 10 mil arrecadados e promete transformar cada contribuição em algo ainda mais importante: o sorriso de uma criança.

E você, acredita que comunidades gamers podem ser uma força importante para transformar realidades fora das telas? Conte sua opinião nos comentários.

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