
Um dos nomes que ajudou a construir alguns dos maiores exclusivos da história do PlayStation não está muito satisfeito com os rumos dos grandes lançamentos da indústria. Bruce Straley, diretor de The Last of Us e Uncharted 4, afirmou que considera as atuais experiências AAA “entediante” e utilizou God of War Laufey como exemplo para explicar sua crítica.
Em entrevista à revista Edge, o antigo diretor da Naughty Dog reconheceu o impressionante trabalho técnico realizado pela Santa Monica Studio, mas afirmou que aquilo que viu do gameplay não conseguiu despertar seu interesse.
Para Straley, o problema não estaria especificamente em God of War, mas em um modelo de desenvolvimento AAA que dificulta assumir riscos e experimentar ideias realmente novas.
Straley foi direto ao comentar sua percepção sobre o atual mercado de grandes produções.
“Acho que as experiências que estamos entregando no espaço AAA são... acho que são entediantes”, declarou.
O diretor também argumentou que, de maneira geral, existe pouco espaço dentro dessas produções para introduzir ideias realmente novas e inovadoras.
É uma crítica significativa justamente por partir de alguém que conhece esse modelo por dentro.
Straley passou anos na Naughty Dog e participou diretamente da construção de jogos conhecidos pelos enormes investimentos em narrativa, tecnologia, animações e apresentação cinematográfica.
Ao explicar sua posição, Straley utilizou God of War Laufey como exemplo.
E ele não economizou elogios quando o assunto foi o trabalho visual realizado pela Santa Monica.
Segundo o diretor, “cada pixel é de tirar o fôlego”, destacando a quantidade de trabalho e talento colocada em cada frame da produção.
O problema aparece quando ele deixa de observar a apresentação e começa a analisar aquilo que o jogador efetivamente fará.
“Quando eu realmente olho para o que você está fazendo no jogo, não fico animado”, afirmou.
Straley fez questão de esclarecer que sua crítica não é direcionada aos desenvolvedores de God of War. Para ele, trata-se de uma consequência da própria estrutura na qual os grandes estúdios precisam trabalhar.
A declaração toca em uma das principais discussões atuais da indústria.
Produções AAA podem envolver centenas de profissionais, vários anos de desenvolvimento e investimentos cada vez maiores. Nesse cenário, um fracasso comercial pode representar um prejuízo enorme.
Isso pode incentivar empresas a procurar conceitos, franquias e estruturas de gameplay já testadas pelo mercado em vez de apostar milhões em experiências completamente diferentes.
É justamente essa falta de espaço para experimentar que incomoda Straley.
O desenvolvedor revelou inclusive possuir uma ideia para um novo jogo AAA, mas acredita que provavelmente nunca conseguirá produzi-la.
A declaração também provocou uma discussão interessante entre jogadores.
Parte da comunidade apontou uma aparente ironia no argumento: Straley trabalhou justamente em franquias que ajudaram a consolidar a experiência cinematográfica como uma das principais características dos grandes exclusivos modernos.
The Last of Us e Uncharted se tornaram referências pela combinação de narrativa, captura de movimentos, grandes sequências cinematográficas e altos valores de produção.
Isso levou alguns jogadores a questionarem se o modelo criticado atualmente por Straley não seria, em parte, consequência do sucesso de jogos que ele próprio ajudou a desenvolver.
Outros concordaram com sua análise e argumentaram que o problema não está necessariamente na existência de experiências cinematográficas, mas na crescente padronização das estruturas utilizadas pelos grandes lançamentos.
Também surgiram exemplos como Elden Ring e Death Stranding 2 entre aqueles que defendem que ainda existe espaço para propostas diferentes dentro de produções de grande orçamento.
No fim, a fala de Straley parece dizer menos sobre a qualidade de God of War Laufey e mais sobre o futuro dos jogos AAA.
Ele reconhece o talento da Santa Monica e a qualidade visual do projeto. Sua crítica está na sensação de já conhecer aquilo que fará quando estiver com o controle nas mãos.
E essa discussão acontece justamente em um momento no qual a indústria debate orçamentos crescentes, equipes gigantescas, ciclos de desenvolvimento cada vez mais longos e milhares de demissões.
God of War Laufey acabou se tornando apenas o exemplo escolhido por alguém que conhece profundamente esse sistema para levantar uma pergunta maior:
os games AAA estão ficando tecnicamente melhores, mas criativamente mais seguros?
E você, Players: concorda com Bruce Straley ou acredita que os grandes jogos ainda conseguem surpreender e inovar? Conta para a gente nos comentários!