A decisão da PlayStation de abandonar Physint, novo projeto de Hideo Kojima, pegou boa parte da indústria de surpresa. O jogo continuará sendo desenvolvido pela Kojima Productions, agora com apoio do Xbox, mas uma pergunta permanece: por que a Sony desistiria de um projeto de um dos desenvolvedores mais prestigiados da indústria?
Para alguns analistas, parte da resposta pode estar no desempenho comercial de Death Stranding 2: On the Beach.
É importante destacar que a Sony não afirmou oficialmente que as vendas de Death Stranding 2 motivaram a decisão. Essa relação é uma análise feita por especialistas do mercado.
Serkan Toto, CEO da consultoria Kantan Games, acredita que a queda de desempenho entre os dois Death Stranding pode ter deixado a Sony mais cautelosa.
O problema é que uma comparação direta não é simples.
A Sony e a Kojima Productions não divulgaram números oficiais de vendas de Death Stranding 2. Uma estimativa da Alinea Analytics aponta aproximadamente 2,5 milhões de cópias vendidas.
Já o primeiro Death Stranding havia vendido oficialmente 5 milhões de unidades até março de 2021 e posteriormente alcançou cerca de 20 milhões de jogadores, número que inclui acessos por serviços de assinatura e promoções gratuitas.
Em julho, a Kojima Productions informou que a franquia havia alcançado 27 milhões de jogadores acumulados.
Portanto, jogadores e cópias vendidas são métricas diferentes e não devem ser comparadas diretamente.
Outro fator é a escala do próprio Physint.
Kojima já indicou anteriormente que o projeto poderia levar cinco ou seis anos para ser concluído. Além disso, sua proposta envolve uma produção cinematográfica e a possibilidade da participação de grandes atores.
Isso poderia transformar Physint em mais um projeto extremamente caro e de longo prazo.
Segundo estimativas citadas pelo analista Rhys Elliot, o primeiro Death Stranding teria custado aproximadamente US$ 100 milhões, enquanto sua sequência poderia ter alcançado entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões.
Esses números não são oficiais e devem ser tratados como estimativas.
A discussão também acontece em um momento no qual a PlayStation estaria analisando com maior cuidado seus grandes investimentos.
Elliot cita projetos recentes como Concord, Marathon, Saros, Marvel Tōkon: Fighting Souls e LEGO Horizon Adventures como exemplos de resultados que poderiam ter aumentado a pressão por margens melhores.
Nesse cenário, financiar outro projeto extremamente caro, com lançamento potencialmente distante e retorno financeiro difícil de prever, poderia representar um risco que a Sony decidiu não assumir.
Isso também ajuda a explicar uma aparente contradição: a Sony pode considerar Kojima extremamente importante criativamente e, ao mesmo tempo, concluir que Physint não faz sentido financeiramente para sua estratégia atual.
Para a Microsoft, a matemática pode ser diferente.
Physint representa não apenas um potencial grande lançamento, mas também uma importante vitória de imagem para o Xbox.
Christopher Dring, do The Game Business, resumiu essa interpretação ao argumentar que um projeto de Kojima não precisa ser analisado somente pela margem de lucro. Prestígio, credibilidade e associação da marca com um dos maiores nomes da indústria também possuem valor.
Depois de meses marcados por reestruturações e cancelamentos no Xbox, assumir justamente um projeto abandonado pela PlayStation oferece à Microsoft uma narrativa positiva.
Agora, caberá ao Xbox assumir os riscos financeiros e criativos de Physint.
Para a Sony, a decisão pode fazer sentido nas planilhas. Para sua imagem entre jogadores mais engajados, porém, perder um projeto de Hideo Kojima para sua principal concorrente certamente terá um custo difícil de calcular.
E você, acha que a Sony fez certo ao evitar mais um projeto potencialmente milionário ou cometeu um erro ao deixar Hideo Kojima e Physint irem para o Xbox?