Sindicato coloca rato gigante em frente à Bethesda em protesto contra demissões na Xbox

Manifestação organizada pelo CWA critica os cortes promovidos pela Microsoft e alerta para os impactos das demissões sobre trabalhadores e projetos da indústria de games.

Por: Anderson Schulz Fonte: IGN
12/08/2026 às 15h58
Sindicato coloca rato gigante em frente à Bethesda em protesto contra demissões na Xbox

Um rato inflável gigante apareceu em frente aos escritórios da Bethesda, em Rockville, nos Estados Unidos, como parte de um protesto contra as recentes demissões realizadas dentro da divisão Xbox.

A manifestação foi organizada pelo Communications Workers of America (CWA) e coincidiu com uma visita de Asha Sharma, diretora da Xbox, ao estúdio para testar The Elder Scrolls 6.

Além do enorme rato, centenas de bandeiras vermelhas foram colocadas no gramado próximo ao escritório. Segundo os organizadores, cada uma representa um trabalhador que perdeu seu emprego durante as reestruturações realizadas nos últimos 12 meses.

Mas por que um rato gigante?

Apesar de parecer uma cena saída de algum evento promocional, o personagem possui um significado conhecido dentro das manifestações trabalhistas norte-americanas.

O rato inflável é chamado de Scabby the Rat e tradicionalmente aparece em protestos organizados por sindicatos nos Estados Unidos contra empresas acusadas de práticas consideradas prejudiciais aos trabalhadores.

Dessa vez, o alvo foi a Microsoft e as consequências dos cortes realizados dentro dos estúdios da Xbox.

Durante a manifestação, antigos e atuais funcionários também participaram de protestos e entoaram palavras de ordem do lado de fora do prédio.

Funcionários dizem que demissões atingiram The Elder Scrolls 6

A manifestação ganha ainda mais repercussão por envolver um dos jogos mais aguardados da Bethesda.

Membros do sindicato afirmam que as demissões afetaram o desenvolvimento de The Elder Scrolls 6.

A Bethesda, por outro lado, nega que os cortes tenham provocado os impactos apontados pelos trabalhadores, embora tenha reconhecido mudanças de direção após a reestruturação da Xbox.

The Elder Scrolls 6 foi anunciado em 2018 e, mesmo aproximadamente oito anos depois de sua apresentação, continua sem uma data oficial de lançamento.

Rumores indicam que o RPG poderia chegar somente a partir de 2028, mas nenhuma janela foi oficialmente confirmada.

Protestos chegaram aos próprios escritórios

Nathan Hahn, produtor técnico da Bethesda e integrante do sindicato, afirmou que a mobilização pretende impedir que grandes ondas de demissões sejam tratadas como algo normal dentro da indústria.

Segundo Hahn, os trabalhadores chegaram a tentar colocar cartazes de protesto em seus espaços de trabalho, mas teriam sido impedidos pela empresa.

Como alternativa, funcionários utilizaram balões presos às mesas, enquanto antigos colegas que perderam seus empregos ficaram responsáveis pelas bandeiras colocadas do lado de fora.

Em declaração sobre o movimento, Hahn afirmou que a mobilização busca garantir tratamento justo aos desenvolvedores e testers atingidos pelos cortes, além de chamar atenção para um problema que ultrapassa os próprios estúdios da Xbox.

Demissões continuam sendo um dos grandes problemas da indústria

O protesto em frente à Bethesda representa uma discussão muito maior que um único estúdio ou projeto.

Nos últimos anos, a indústria de games passou por sucessivas ondas de demissões, atingindo desde pequenos desenvolvedores até algumas das maiores empresas do mercado.

O cenário também expõe uma contradição importante do setor: a indústria continua produzindo jogos cada vez maiores, caros e tecnologicamente complexos enquanto milhares de profissionais responsáveis por esses projetos enfrentam instabilidade no emprego.

Para o CWA, manifestações como a realizada na Bethesda são justamente uma tentativa de impedir que grandes cortes de funcionários se transformem em uma prática considerada normal no desenvolvimento de videogames.

Enquanto isso, The Elder Scrolls 6 segue sem data oficial de lançamento, tornando o protesto ainda mais simbólico: um dos projetos mais aguardados da indústria também se encontra no centro da discussão sobre as condições enfrentadas pelas pessoas responsáveis por construir esses mundos.

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