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Rockstar é acusada de desigualdade salarial, crunch e uso de bônus como forma de pressão
Funcionários afirmam que estúdio de GTA VI enfrenta problemas de remuneração, excesso de horas de trabalho e falta de transparência; Take-Two responde às acusações.
02/07/2026 14h00
Por: Anderson Schulz

A Rockstar Games voltou ao centro de uma polêmica envolvendo suas condições de trabalho. Em entrevista ao portal especializado Game Developer, funcionários do estúdio e integrantes do sindicato dos trabalhadores da empresa no Reino Unido fizeram uma série de acusações relacionadas à remuneração, jornadas excessivas e desigualdade salarial.

Os relatos foram feitos de forma anônima por receio de represálias e envolvem o desenvolvimento de Grand Theft Auto VI, um dos jogos mais aguardados da indústria.

Funcionários criticam sistema de bônus

Segundo os trabalhadores, uma parte significativa da remuneração anual depende de bônus considerados pouco transparentes.

Os funcionários afirmam que os valores variam bastante entre departamentos e equipes, sem critérios claros ou justificativas consistentes. De acordo com os relatos, isso faz com que muitos profissionais recebam menos do que esperavam ao longo do ano.

Além disso, promoções também seriam difíceis de conquistar devido à constante mudança dos critérios internos de progressão de carreira.

Alegações de desigualdade salarial

Outro ponto levantado pelos funcionários diz respeito à diferença salarial entre homens e mulheres.

Segundo os relatos, a disparidade teria aumentado nos últimos anos e iniciativas que buscavam reduzir esse desequilíbrio teriam sido abandonadas. Também foi alegado que trabalhadores do turno da noite deixaram de receber benefícios adicionais relacionados ao horário diferenciado.

Os entrevistados afirmam que parte da equipe considera injusta a remuneração recebida diante do sucesso financeiro da empresa e da expectativa em torno de GTA VI.

Crunch continua sendo motivo de preocupação

As denúncias também abordam a prática conhecida como crunch, caracterizada por longos períodos de horas extras durante o desenvolvimento dos jogos.

Segundo os funcionários, contratos da Rockstar no Reino Unido incluem cláusulas que facilitariam jornadas prolongadas, e alguns departamentos convivem com esse cenário de forma constante.

Os trabalhadores afirmam ainda que, embora existam incentivos financeiros para horas extras, isso não elimina os impactos negativos do excesso de trabalho sobre a qualidade de vida da equipe.

Trabalho remoto também gera críticas

Outro tema citado foi o retorno ao trabalho presencial.

Segundo os relatos, durante a pandemia os funcionários conseguiram um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional com o modelo híbrido. No entanto, a decisão da empresa de retomar o trabalho presencial em tempo integral teria desagradado parte da equipe, que afirma que executivos continuam tendo maior flexibilidade do que os demais funcionários.

Take-Two responde

Em resposta às acusações, a Take-Two Interactive declarou que busca oferecer ambientes de trabalho de alta qualidade e políticas competitivas de remuneração e benefícios.

A empresa afirmou que possui uma taxa de retenção de funcionários acima da média da indústria e confirmou que recebeu o pedido de reconhecimento voluntário do sindicato, informando que pretende abrir diálogo com os representantes dos trabalhadores.

Até o momento, a Rockstar Games não comentou individualmente cada uma das alegações apresentadas pelos funcionários.

O que você acha? A indústria dos games ainda precisa evoluir nas condições de trabalho dos desenvolvedores ou os grandes estúdios já avançaram nesse aspecto?