
A campanha Stop Killing Games sofreu um importante revés na Europa. A Comissão Europeia rejeitou recentemente uma proposta ligada ao movimento, que busca impedir que empresas tornem jogos inutilizáveis após o encerramento de seus serviços online.
A iniciativa surgiu em 2024 após a decisão da Ubisoft de desligar os servidores de The Crew, jogo de corrida que dependia de conexão permanente com a internet para funcionar, inclusive em partes da experiência single-player.
Para muitos consumidores, a situação levantou um debate importante: o que acontece quando um jogador compra um game, mas perde completamente o acesso a ele anos depois?
Criado pelo youtuber e criador de conteúdo Ross Scott, o movimento defende que empresas deveriam ser obrigadas a preservar a funcionalidade básica dos jogos após o encerramento dos servidores oficiais.
A proposta não exige necessariamente que as companhias mantenham servidores ativos para sempre, mas que ofereçam alternativas para que os consumidores continuem acessando os produtos pelos quais pagaram.
O caso de The Crew se tornou o principal símbolo da campanha porque, após o desligamento dos servidores, o jogo simplesmente deixou de funcionar.
Apesar da crescente mobilização da comunidade gamer, a Comissão Europeia decidiu não avançar com a proposta apresentada pelo movimento.
O entendimento foi de que a questão não seria tratada dentro do pacote regulatório analisado pelo órgão naquele momento.
A decisão representa uma derrota para os defensores da iniciativa, especialmente porque a União Europeia tem sido uma das regiões mais ativas na criação de regulamentações digitais nos últimos anos.
Mesmo com a rejeição, os organizadores afirmaram que o movimento está longe de acabar.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, o grupo declarou que pretende continuar pressionando instituições europeias para incluir o tema em futuras legislações relacionadas aos direitos digitais dos consumidores.
Segundo os responsáveis pela campanha:
"Podemos continuar mesmo sem a Comissão Europeia."
O objetivo agora é tentar inserir as reivindicações dentro de futuras discussões relacionadas à chamada Lei de Equidade Digital.
O tema divide opiniões dentro do setor.
Enquanto muitos jogadores defendem que produtos adquiridos deveriam continuar acessíveis de alguma forma, empresas argumentam que manter infraestrutura online indefinidamente pode gerar custos elevados e inviabilizar determinados modelos de negócio.
Em 2024, o CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, comentou a discussão afirmando que:
"Nada é eterno."
A declaração gerou forte repercussão entre consumidores e ajudou a ampliar ainda mais a visibilidade da campanha.
Com cada vez mais jogos dependentes de servidores online, autenticação constante e recursos conectados, a discussão sobre preservação digital tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.
A rejeição da proposta pela Comissão Europeia representa um obstáculo para o Stop Killing Games, mas dificilmente será o fim da conversa sobre os direitos dos consumidores na era dos jogos digitais.
E você, acredita que as empresas deveriam ser obrigadas a manter jogos acessíveis após o encerramento dos servidores ou isso faz parte da evolução natural da indústria? Deixe sua opinião nos comentários.