União Europeia rejeita proposta para impedir abandono de jogos, mas campanha continua

Movimento Stop Killing Games sofre revés, mas promete seguir pressionando por leis que protejam jogos desativados pelas empresas.

Por: Anderson Schulz
18/06/2026 às 17h00
União Europeia rejeita proposta para impedir abandono de jogos, mas campanha continua

A campanha Stop Killing Games sofreu um importante revés na Europa. A Comissão Europeia rejeitou recentemente uma proposta ligada ao movimento, que busca impedir que empresas tornem jogos inutilizáveis após o encerramento de seus serviços online.

A iniciativa surgiu em 2024 após a decisão da Ubisoft de desligar os servidores de The Crew, jogo de corrida que dependia de conexão permanente com a internet para funcionar, inclusive em partes da experiência single-player.

Para muitos consumidores, a situação levantou um debate importante: o que acontece quando um jogador compra um game, mas perde completamente o acesso a ele anos depois?

O que é o movimento Stop Killing Games?

Criado pelo youtuber e criador de conteúdo Ross Scott, o movimento defende que empresas deveriam ser obrigadas a preservar a funcionalidade básica dos jogos após o encerramento dos servidores oficiais.

A proposta não exige necessariamente que as companhias mantenham servidores ativos para sempre, mas que ofereçam alternativas para que os consumidores continuem acessando os produtos pelos quais pagaram.

O caso de The Crew se tornou o principal símbolo da campanha porque, após o desligamento dos servidores, o jogo simplesmente deixou de funcionar.

Comissão Europeia rejeita proposta

Apesar da crescente mobilização da comunidade gamer, a Comissão Europeia decidiu não avançar com a proposta apresentada pelo movimento.

O entendimento foi de que a questão não seria tratada dentro do pacote regulatório analisado pelo órgão naquele momento.

A decisão representa uma derrota para os defensores da iniciativa, especialmente porque a União Europeia tem sido uma das regiões mais ativas na criação de regulamentações digitais nos últimos anos.

Campanha promete continuar

Mesmo com a rejeição, os organizadores afirmaram que o movimento está longe de acabar.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o grupo declarou que pretende continuar pressionando instituições europeias para incluir o tema em futuras legislações relacionadas aos direitos digitais dos consumidores.

Segundo os responsáveis pela campanha:

"Podemos continuar mesmo sem a Comissão Europeia."

O objetivo agora é tentar inserir as reivindicações dentro de futuras discussões relacionadas à chamada Lei de Equidade Digital.

Indústria acompanha o debate de perto

O tema divide opiniões dentro do setor.

Enquanto muitos jogadores defendem que produtos adquiridos deveriam continuar acessíveis de alguma forma, empresas argumentam que manter infraestrutura online indefinidamente pode gerar custos elevados e inviabilizar determinados modelos de negócio.

Em 2024, o CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, comentou a discussão afirmando que:

"Nada é eterno."

A declaração gerou forte repercussão entre consumidores e ajudou a ampliar ainda mais a visibilidade da campanha.

O debate está apenas começando

Com cada vez mais jogos dependentes de servidores online, autenticação constante e recursos conectados, a discussão sobre preservação digital tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.

A rejeição da proposta pela Comissão Europeia representa um obstáculo para o Stop Killing Games, mas dificilmente será o fim da conversa sobre os direitos dos consumidores na era dos jogos digitais.

E você, acredita que as empresas deveriam ser obrigadas a manter jogos acessíveis após o encerramento dos servidores ou isso faz parte da evolução natural da indústria? Deixe sua opinião nos comentários.

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