Justiça condena PlayStation, Xbox, Steam e gigantes da indústria por loot boxes no Brasil

Decisão determina pagamento de R$ 298 milhões e reforça pressão sobre sistemas de recompensas aleatórias em jogos.

Por: Anderson Schulz Fonte: Voxel
17/06/2026 às 12h00
Justiça condena PlayStation, Xbox, Steam e gigantes da indústria por loot boxes no Brasil

As loot boxes voltaram ao centro do debate no mercado de games brasileiro. A Justiça do Distrito Federal condenou algumas das maiores empresas da indústria a pagar, juntas, R$ 298 milhões por danos morais coletivos relacionados ao uso de sistemas de recompensas aleatórias em jogos eletrônicos.

A decisão foi proferida pela 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal e atinge empresas como Sony, Microsoft, Valve Corporation, Nintendo, Apple, Google, Tencent, Electronic Arts, Ubisoft, Riot Games e Konami.

O processo foi movido pela Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED), que questionou o impacto das loot boxes sobre crianças e adolescentes.

Justiça compara loot boxes a mecanismos de apostas

Segundo a decisão, os sistemas de recompensas aleatórias apresentam características semelhantes às apostas ao incentivarem compras repetidas baseadas exclusivamente na sorte.

A magistrada responsável pelo caso destacou que o modelo utiliza o chamado "reforço intermitente", mecanismo psicológico que estimula o usuário a continuar gastando na expectativa de receber itens raros ou mais valiosos.

O entendimento da Justiça é de que esse sistema pode favorecer comportamentos compulsivos, principalmente entre menores de idade.

Confira os valores das condenações

As multas foram distribuídas conforme o porte e a participação de cada empresa no mercado.

  • Apple — R$ 50 milhões
  • Microsoft — R$ 50 milhões
  • Tencent — R$ 50 milhões
  • Google — R$ 40 milhões
  • Sony — R$ 40 milhões
  • Electronic Arts — R$ 20 milhões
  • Riot Games — R$ 15 milhões
  • Ubisoft — R$ 10 milhões
  • Valve — R$ 10 milhões
  • Konami — R$ 8 milhões
  • Nintendo — R$ 5 milhões

Os recursos serão destinados ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal após o trânsito em julgado da ação.

O que muda para as empresas?

Além das multas milionárias, a Justiça determinou uma série de mudanças que deverão ser implementadas pelas empresas envolvidas.

Entre as exigências estão:

  • Divulgação clara das probabilidades de obtenção dos itens.
  • Avisos explícitos sobre o caráter aleatório das recompensas.
  • Sistemas mais rígidos de verificação de idade.
  • Ferramentas de reembolso para compras realizadas por menores.

As medidas acompanham o fortalecimento das discussões relacionadas ao chamado ECA Digital e à proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.

Usuários também poderão buscar indenização

Outro ponto importante da decisão é que ela abre caminho para ações individuais.

Segundo o entendimento da Justiça, crianças e adolescentes que realizaram compras de loot boxes nos jogos citados poderão buscar compensações próprias na esfera judicial.

Apesar da condenação, as empresas ainda podem recorrer da decisão nas instâncias superiores.

A discussão sobre loot boxes já acontece há anos em diversos países e divide opiniões. Enquanto parte da indústria defende o sistema como uma forma de monetização opcional, críticos argumentam que o modelo possui características muito próximas às apostas tradicionais.

E você, acredita que loot boxes devem ser tratadas como jogos de azar ou fazem parte normal da experiência dos games modernos? Deixe sua opinião nos comentários.

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