Atlus quer sair da bolha: criadores de Persona admitem que precisam alcançar mais jogadores

Diretor de Persona e Metaphor diz que repetir a mesma fórmula por décadas pode ser arriscado.

Por: Anderson Schulz Fonte: Game Informer
07/01/2026 às 12h00
Atlus quer sair da bolha: criadores de Persona admitem que precisam alcançar mais jogadores

A Atlus pode estar se aproximando de um dos momentos mais decisivos de sua história recente. Conhecida por RPGs com identidade fortíssima, especialmente a franquia Persona, a desenvolvedora japonesa começa a reconhecer que repetir estruturas consagradas por décadas pode limitar seu crescimento criativo e comercial.

Apesar do sucesso contínuo, o próprio estúdio admite que o modelo que funcionou tão bem até aqui pode não ser sustentável para o futuro. Mesmo Metaphor: ReFantazio, lançado em 2024 e amplamente elogiado pela crítica, manteve muitos pilares clássicos do design de Persona, reforçando a sensação de evolução “controlada”, sempre dentro de territórios seguros.

Essa discussão veio à tona em uma entrevista recente de Katsura Hashino, diretor criativo de Persona e Metaphor, à revista Game Informer. Segundo ele, a Atlus chegou a um ponto de virada importante e precisa repensar como seus JRPGs são concebidos daqui pra frente.

Evoluir sem perder identidade

Hashino foi direto ao afirmar que o objetivo não é abandonar o gênero nem romper completamente com o passado. A ideia é redefinir o formato do JRPG moderno, levando-o a um novo estágio de maturidade, sem abrir mão das marcas registradas da Atlus: narrativas densas, personagens memoráveis e identidade visual marcante.

O grande desafio, segundo o diretor, é ampliar o público. Para ele, os jogos da Atlus precisam conversar melhor com jogadores que não são fãs tradicionais de JRPG, algo essencial no mercado atual.

Acessibilidade como chave para o futuro

Tornar os jogos mais acessíveis não significa simplificar demais ou descaracterizar a experiência. A proposta passa por ajustes de ritmo, sistemas e estrutura para que mais pessoas se sintam convidadas a experimentar esse tipo de RPG — sem perder a profundidade que os fãs já esperam.

Com títulos cada vez maiores e mais caros de produzir, a fala de Hashino reforça que até estúdios altamente respeitados precisam se reinventar. A questão agora é até onde a Atlus está disposta a ir para crescer sem perder sua alma.

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